Base governista articula superchapa para 2026 e amplia vantagem política em Goiás
- pereiraalves4
- 4 de jan.
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Em 2022, Ronaldo Caiado venceu a reeleição em 240 dos 246 municípios goianos, sendo eleito no primeiro turno com 51,81% dos votos válidos. A expectativa dentro da base é que Daniel Vilela herde grande parte desse capital eleitoral
Jornal Opção

A definição da chapa majoritária governista em Goiás deve ocorrer apenas entre abril e maio de 2026. Apesar disso, o desenho político da sucessão estadual já começa a se consolidar, com articulações avançadas e sinais claros de fortalecimento da base aliada do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e do vice-governador Daniel Vilela (MDB).
A tendência, segundo lideranças políticas ouvidas é que a chapa para governador e senador reúna quatro dos principais partidos do país: MDB, União Brasil, PL e PSD.
Caso se confirme, a coligação contará com ampla estrutura de campanha, incluindo robustez financeira, forte capilaridade eleitoral e tempo expressivo de televisão, formando um bloco considerado de difícil enfrentamento nas urnas.
O cenário político estadual vem sendo redesenhado desde as eleições municipais de 2024. Dos 26 prefeitos eleitos pelo PL em Goiás, 14 já migraram para a base governista, enquanto outros dois mantêm negociações avançadas. A avaliação interna é de que essa movimentação deve se intensificar nos primeiros meses de 2026, ampliando ainda mais o isolamento da oposição.
Diante desse movimento, a direção do PL tem adotado um discurso duro contra possíveis dissidências. A legenda já sinalizou que não aceitará “traições” no próximo pleito, especialmente de lideranças que ainda não definiram posição.
Um dos exemplos citados nos bastidores é o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), que já presidiu o MDB e tem retomado a proximidade política com Daniel Vilela. Sobre o tema, Márcio tem afirmado que “ainda não é o momento de tratar desse assunto”.
Além dos prefeitos, o deputado federal Gustavo Gayer (PL), principal nome do bolsonarismo em Goiás, também é citado como possível aliado do vice-governador, com especulações sobre sua participação na chapa majoritária ao Senado, ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil).
O realinhamento político reforça o esvaziamento da oposição e antecipa uma disputa em que o grupo caiadista caminha para chegar às urnas com ampla vantagem territorial e partidária. Em 2022, Ronaldo Caiado venceu a reeleição em 240 dos 246 municípios goianos, sendo eleito no primeiro turno com 51,81% dos votos válidos. A expectativa dentro da base é que Daniel Vilela herde grande parte desse capital eleitoral.
Podemos confirma alinhamento com Daniel Vilela
Deputado federal por Goiás e presidente estadual do Podemos, Glaustin da Fokus afirmou que o partido já está alinhado ao projeto de continuidade do atual governo.
“Nós temos falado muito com o Daniel. Acredito que será um projeto de sequência”, declarou. Para ele, o principal adversário do vice-governador deve ser o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). “Ele fez muita coisa pelo Estado e tem um espólio político que tenta se reorganizar na oposição”, avaliou.
Glaustin destacou a estratégia adotada por Daniel Vilela de dialogar com diferentes forças políticas. “O Daniel está fazendo a coisa correta, conversando com os partidos e com os parlamentares. O Podemos hoje é um partido de base e está ajustado com ele para a eleição que vem”, afirmou.
Segundo o deputado, o partido também dispõe de nomes para compor a chapa majoritária. “Temos bons quadros para a vice, projetos sem vaidade e sem ego. Um desses nomes é o do ex-senador Luiz do Carmo, que tem forte inserção no segmento evangélico em Goiás”, pontuou.
Base governista domina Executivo e Legislativo
Os partidos que compõem a base de Ronaldo Caiado conquistaram, nas eleições municipais de 2024, uma vantagem considerada estratégica para 2026. União Brasil, MDB, PP, Podemos, Avante, Agir, PRD e Republicanos elegeram juntos 181 prefeitos, incluindo os principais colégios eleitorais do estado, como Goiânia, Aparecida e Rio Verde.
Somente o União Brasil venceu em 94 municípios, passando a governar cidades que concentram cerca de 2,1 milhões de habitantes. O MDB, sob comando estadual de Daniel Vilela, conquistou 40 prefeituras, consolidando o vice-governador como um dos políticos mais influentes do estado e favorito à sucessão.
Na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o líder do governo, deputado estadual Talles Barreto (União Brasil), será um dos principais articuladores da pré-candidatura de Daniel Vilela. Segundo ele, a base governista já reúne 31 dos 42 deputados estaduais.
“Hoje temos 31 parlamentares na base, e esse número pode aumentar. Existe, inclusive, a expectativa de que o próprio PL venha a caminhar conosco”, afirmou Talles.
Ele ressaltou que a articulação tem garantido governabilidade. “Não tivemos praticamente nenhum problema na Assembleia. Os projetos do Executivo tramitam com rapidez e são aprovados”, disse.
Para Talles, Daniel Vilela representa a continuidade de um governo bem avaliado. “O projeto Daniel é a sequência do governo Ronaldo Caiado, que tem hoje uma das melhores avaliações do país. É um governo que chegou na ponta, especialmente na segurança pública e na educação”, avaliou.
O deputado acredita que a aliança será ampliada. “Não tenho dúvida de que será um projeto vitorioso. Os grandes partidos do estado devem caminhar com Daniel, com exceção do PT”, afirmou.






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