top of page

Advogado pede cassação de vereador de Caldas Novas acusado de solicitar propina para funcionamento de trenzinho

  • há 22 minutos
  • 2 min de leitura

Representação protocolada na Câmara aponta pedido de R$ 20 mil para liberação de alvará de trenzinho turístico; vereador nega irregularidades




Jornal Opção





Representações protocoladas na Câmara Municipal de Caldas Novas pedem a instauração de processo político-administrativo, com afastamento cautelar e cassação do mandato do vereador Hudson Matheus de Paula Pires (MDB). O parlamentar é acusado de solicitar vantagem financeira para viabilizar a emissão de alvarás de funcionamento de trenzinhos turísticos no município. O vereador nega irregularidades.


Hudson Matheus está afastado do cargo desde janeiro, por decisão judicial, que também determinou o afastamento de uma assessora parlamentar e proibiu ambos de acessar as dependências da Câmara Municipal.


O pedido foi apresentado pelo advogado Rannieri Lopes, que sustenta que há duas denúncias distintas, formuladas pelos empresários Ivair Clemente Gomes e Sérgio de Castro, ambos permissionários de trenzinhos turísticos em Caldas Novas.


Segundo a representação, em março de 2025, o vereador teria entrado em contato com um dos empresários para uma conversa presencial. Durante o encontro, Hudson Matheus teria afirmado que tinha conhecimento do processo administrativo aberto para obtenção do alvará e que apenas ele teria condições de resolver a situação.


Ainda conforme o advogado, o parlamentar teria exigido o pagamento de R$ 20 mil para inserir o alvará “em qualquer pasta” da prefeitura, além de uma entrada de R$ 2 mil para dar início à suposta fraude. Caso a proposta fosse recusada, a autorização, segundo a denúncia, seria repassada a outra pessoa.


Pix de R$ 2 mil e documentos bancários


No segundo caso, envolvendo o permissionário Sérgio de Castro, o pagamento do valor inicial de R$ 2 mil foi realizado a uma pessoa supostamente indicada pelo vereador.

Documentos bancários anexados à representação mostram que o Pix foi recebido por Thamires de Figueiredo, servidora pública municipal lotada em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI).


Os comprovantes indicam que, no mesmo dia, o valor foi integralmente transferido para a conta do vereador Hudson Matheus, mantida na Caixa Econômica Federal.


A movimentação financeira passou a integrar o conjunto de documentos analisados tanto na esfera criminal quanto no processo político-administrativo em tramitação na Câmara.


Apesar do pagamento, o alvará não foi concedido. Segundo a denúncia, Sérgio de Castro passou a cobrar o cumprimento do acordo, inclusive com visitas ao gabinete do vereador. Em uma dessas ocasiões, Hudson Matheus teria afirmado que conseguiria falsificar assinaturas para acelerar o andamento do processo.


Outras acusações e pedido de uso da tribuna


Além do episódio envolvendo a suposta propina, o advogado relata que um agente de trânsito identificado como Elton Junio Batista Mobile, apontado como apadrinhado político do vereador, teria iniciado abordagens reiteradas aos trenzinhos que circulam no município. Segundo a denúncia, o agente também teria passado a receber valores entre R$ 50 e R$ 80 para permitir a circulação dos veículos.


Na representação, Rannieri Lopes sustenta que houve uso do mandato parlamentar para solicitação de vantagem indevida, além de quebra de decoro parlamentar, o que justificaria a cassação definitiva do vereador.


O advogado também protocolou pedido formal para utilização da Tribuna Popular da Câmara Municipal de Caldas Novas, com o objetivo de apresentar publicamente os fatos, esclarecer as denúncias à sociedade e defender a responsabilização política do parlamentar.

O caso segue sob apuração em diferentes instâncias. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa.

bottom of page