Advogado nega abertura de protocolo de morte cerebral de suspeito ligado a Daniel Vorcaro
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De acordo com o defensor, Mourão permanece no Centro de Terapia Intensiva (CTI) e, embora o quadro seja considerado grave, não houve indicação médica para início do protocolo que confirma morte encefálica
Jornal Opção

O advogado Robson Lucas da Silva afirmou nesta quinta-feira, 5, que não foi aberto protocolo de morte cerebral para Luiz Phillipi Mourão, suspeito de atuar na articulação de ações contra desafetos do banqueiro Daniel Vorcaro.
Mourão está internado em estado gravíssimo no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte (MG), após ser socorrido enquanto estava sob custódia da Polícia Federal.
De acordo com o defensor, Mourão permanece no Centro de Terapia Intensiva (CTI) e, embora o quadro seja considerado grave, não houve indicação médica para início do protocolo que confirma morte encefálica.
“O quadro permanece grave. Não houve evolução. Ele não melhorou, mas também não piorou”, afirmou o advogado a jornalistas.
Segundo ele, a abertura do protocolo depende de critérios clínicos específicos e de uma evolução do quadro para pior, o que, até o momento, não ocorreu.
“A abertura do protocolo depende da manifestação clínica e da evolução do quadro para pior. Ainda não chegamos a esse ponto. Espero que não cheguemos, mas os médicos ainda não têm condição de iniciar esse procedimento, de acordo com a literatura médica”, disse.
Hospital não divulga boletim
A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), responsável pela unidade hospitalar, informou que não divulgará detalhes sobre o estado de saúde do paciente. Em nota, o órgão afirmou que a decisão segue as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que impede a divulgação de informações individualizadas sobre pacientes.
Tentativa de suicídio sob investigação
Mourão foi levado ao hospital após tentar tirar a própria vida enquanto estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. A corporação informou que ele foi socorrido por equipes da própria instituição.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que as circunstâncias do episódio estão sendo apuradas e que todo o ocorrido foi registrado por câmeras de segurança.
“Está tudo filmado. Toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão registrados, sem pontos cegos”, afirmou o diretor à coluna da jornalista Carla Araújo.
A defesa declarou ainda que esteve com Mourão até por volta das 14h do dia do incidente e que, naquele momento, ele estava “em plena integridade física e mental”. Segundo os advogados, a informação sobre a tentativa de suicídio só foi conhecida após a nota divulgada pela Polícia Federal.
Suspeita de intimidar desafetos de Vorcaro
Luiz Phillipi Mourão foi preso durante a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. De acordo com as investigações, ele seria responsável por liderar um grupo que monitorava pessoas e planejava ações de intimidação contra desafetos do banqueiro Daniel Vorcaro, também alvo da operação.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que Mourão era chamado de “Sicário”, expressão associada a matadores de aluguel. Em conversas analisadas pela PF, os dois discutiriam a possibilidade de organizar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, com o objetivo de agredi-lo.
Em nota, Vorcaro afirmou que jamais teve a intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que as mensagens foram retiradas de contexto.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria acesso a bases de dados oficiais. Mourão seria responsável por consultar sistemas da própria PF e até do FBI para levantar informações sobre pessoas de interesse do banqueiro.
Investigação anterior por pirâmide financeira
Além da investigação atual, Mourão também responde a um processo por lavagem de dinheiro e organização criminosa em Minas Gerais. O Ministério Público estadual denunciou, em 2021, um grupo de onze pessoas por supostamente operar um esquema de pirâmide financeira entre 2018 e 2021.
De acordo com o MP, a organização utilizava empresas de fachada e anúncios na internet e em redes sociais para atrair investidores de todo o país com promessas de retornos financeiros elevados.
As investigações apontam que Mourão movimentou cerca de R$ 24,9 milhões em uma conta bancária em apenas dois meses de 2021. Uma empresa ligada a ele, a King Motors, também teria registrado movimentação de R$ 3,3 milhões no mesmo período.
O Ministério Público afirma que é impossível determinar o número exato de vítimas do esquema, mas que centenas de pessoas recorreram à Justiça para tentar recuperar valores investidos.


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