Seg, 24 de Set de 2018

A Lenda do Gato Preto. Núcleo cigano

A Lenda do Gato Preto, longa-metragem cearense do diretor quixadaense Clébio Viriato Ribeiro, conquistou o Troféu de Ouro “World Human Rights Awards (WHRA) ” – Prêmio Mundial dos Direitos Humanos na Indonésia.

A Lenda do Gato Preto, longa-metragem cearense do diretor quixadaense Clébio Viriato Ribeiro, conquistou o Troféu de Ouro “World Human Rights Awards (WHRA) ” – Prêmio Mundial dos Direitos Humanos na Indonésia. Com roteiro assinado pela dupla Caio Quinderé e Kennedy Saldanha e apoio do Governo do Estado do Ceará, o filme é baseado em uma lenda urbana da cidade de Quixadá e aborda positivamente a temática cigana, povos que fazem parte de uma etnia muito discriminada no mundo inteiro, fator que também garantiu prêmio nas categorias platina e prata.

Rodado nas cidades de Quixadá e Maranguape, tem em seu elenco principal os atores Emiliano Queiroz, Elke Maravilha, Eduardo Dascar, Jane Azeredo, Katiana Monteiro, Alexandre Mandarino, Aurora Duarte e a estreante Cassia Roberta. Os atores Antonieta Noronha e Sidney Souto (ambos in memoriam) fazem parte do núcleo cigano.

Entrega
A entrega do prêmio acontecerá próximo dia 18 de janeiro em Jakarta, na Indonésia. “Na ocasião, teremos a oportunidade de participar do debate e de uma coletiva internacional engrandecendo o nome do Ceará para a imprensa mundial, além de ser momento de negócios com distribuidoras nacionais e internacionais”, pontua Viriato.

O filme
Com direção de Clébio Viriato, A Lenda do Gato Preto é um filme de longa duração e que se destina à exibição no circuito comercial de salas de cinema e salas digitais no Brasil e exterior. O filme exalta a força da cultura cigana e sua contribuição para formação da identidade cultural brasileira. Vai respeitar as diferenças das minorias étnicas, reconhecendo o legado que os povos ciganos (notadamente os que passaram pelo sertão nordestino em meados do século passado) deixaram às futuras gerações.

O filme tem ainda como mote inspirador uma lenda urbana propagada em Quixadá, município do sertão central do Ceará, que diz sobre uma menina tomada pelo desejo súbito e irresistível de subir pela parte mais íngreme da Pedra do Cruzeiro, vencendo seus 90 metros de altura sem a ajuda de qualquer equipamento, afirmando ser atraída por um gato preto que a conduzia até o topo da pedra.

Como resultado, espera-se atingir um público estimado em dois milhões de pessoas entre cinéfilos, remanescentes de comunidades ciganas, jovens e adultos, homens e mulheres das classes sociais A, B e C no Brasil e Exterior.

Por que um filme sobre ciganos? Ao contrário dos índios, hoje também uma minoria, os ciganos nem sequer são citados na Constituição Federal. A defesa dos direitos e interesses ciganos, no entanto, é bem mais difícil e complexa, porque a bibliografia sobre esse grupo no Brasil é muito reduzida e mal chega a uma dúzia de ensaios científicos, dada a quase inexistência de antropólogos e outros cientistas que realizaram ou realizam pesquisas de campo em torno do tema.

Assim, os ciganos constituem uma minoria das menos conhecidas e talvez por isso são vítimas de muitos preconceitos e discriminação no Brasil. Por isso, a pesquisa deste filme foi fundamentada na oralidade de grupos ciganos residentes nas proximidades de Sobral e Juazeiro do Norte, interior do Ceará.

A cultura cigana representa um conjunto de tradições e crenças que desafiam os modelos sociais por defender o direito à diferença. Os ciganos ao longo da história são testemunhas do preconceito social e religioso, exatamente por não reconhecerem um Deus próprio, nem sacerdotes, nem cultos originais. Para os citadinos, cigano muitas vezes é sinônimo de esperto, vagabundo ou ladrão. Esse ranço histórico é cultivado, inclusive, pela literatura em torno de estórias e histórias vividas ou imaginadas. Assim como os judeus, os índios, os negros, ou os pobres, os ciganos são discriminados na sociedade. É sobre discriminação, amor proibido, honra e dignidade que este filme trata.

A Lenda do Gato Preto enfoca os aspectos da cultura cigana e os contrates com a moral social dos anos 70 até os dias atuais, para que a sociedade compreenda o seu valor e mantenha a determinação de preservar a cultura nômade.

Sinopse

Sertão do Nordeste brasileiro 1970. Um grupo de ciganos acampa nos arredores de Quixadá, seguindo a previsão de que um novo tempo se anuncia. Ali passam semanas mudando a paisagem, interferindo no cotidiano do pequeno lugarejo. Aos poucos se integram à vida da cidade e usando da habilidade para o comércio fazem da feira seu ponto de negócios.

Lutando pelo direito de serem aceitos, um pequeno grupo de ciganos envolve-se numa grande confusão, após um rico comerciante local atropelar um Gato Preto, animal de estimação de uma Cigana. Conflito que finda por expulsar a todos os ciganos da cidade. Dezoito anos depois, Mariana, filha mais nova da família Amorim, no dia de seu aniversário, sente-se tomada por uma força indômita que a faz correr pelas ruas de Quixadá e subir pela parte mais íngreme da Pedra do Cruzeiro.

A Cigana do gato morto retorna a Quixadá, agora dona do famoso Circo Estrela do Oriente. Seu filho e Mariana têm um romance proibido que mudará o rumo da historia. (Dadynha Saturnino)

A versão impressa do Jornal Verde Vale é veiculada às sextas-feiras. Para quem não conseguiu garantir a leitura no fim de semana ou deseja indicar o conteúdo a outras pessoas, é disponibilizada a versão on-line, sempre na terça-feira seguinte a publicação.

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